Há dias em que sinto que caminho num terreno frágil.
Como se estivesse contigo e, ao mesmo tempo, sempre à beira de perder-te.
És presença que aquece, mas também incerteza que assusta.
O coração pede para me entregar sem reservas — nunca soube amar pela metade.
Mas a mente levanta muros, lembrando dores antigas, como ecos de algo que já vivi.
Diz-me para ter cuidado, para não me deixar levar pelo conforto da tua proximidade, como se fosse apenas um abrigo temporário.
E, ainda assim, há algo em ti que me prende. Como se sempre tivesses sido tu.
Mesmo quando tento afastar-me desse pensamento, ele volta, teimoso, inevitável.
Carrego o receio de acordar um dia e perceber que não passo de companhia de passagem, de olhar para trás e ver que o teu caminho seguiu noutro rumo. Talvez até num rumo já conhecido.
E eu, de novo, a juntar os pedaços — como tantas vezes. Mas não te culpo, nem te prendo.
Se for para encontrares felicidade, deixo-te ir.
Já aprendi a curar-me antes, sei que consigo outra vez. Vou me curar, como sempre.
Mesmo que doa, mesmo que o peito se aperte, o importante é que estejas bem. O que me pesa é não saber se, quando essa tempestade dentro de ti passar, eu ainda estarei lá.
E é neste impasse que vivo: entre o querer mergulhar e o medo da queda, entre o desejo de ficar e a sombra de perder.
“Eu não quero que sofras. Se eu segurar a tua mão, não largarei para voltar com o meu passado.” — devo confiar?