Quase Tudo O Que Sou, Em Ordem
Conseguir estar num lugar, numa conversa, num grupo ou ao lado de uma pessoa sem sentir que tenho de me corrigir o tempo todo para merecer ali estar.
Fragmentos de alma colocados no papel. Desabafos, confissões, perguntas que talvez não tenham resposta.
Conseguir estar num lugar, numa conversa, num grupo ou ao lado de uma pessoa sem sentir que tenho de me corrigir o tempo todo para merecer ali estar.
E de repente sinto que não estou bem dentro de mim. Sinto que há uma distância entre aquilo que sou e aquilo que vivo, que não estou aqui.
Eu sou um produto pra vocês e útil enquanto render alguma coisa. Não somos uma família.
Um tipo de presença que acolhe, resolve, protege. Nesse espaço, construiu-se uma sensação rara: segurança.
Ciclos interrompidos deixam uma sensação estranha: não é exatamente perda, nem exatamente fracasso.
Este ano obrigou-me a olhar para mim com uma honestidade que eu adiei durante muito tempo. Não foi um processo linear e nem sempre foi confortável.
Crescemos num mundo onde falar é importante, que expressar opiniões é saudável, que “quem se cala consente”. Mas não se fala de quem comunica de outra forma.
Um dia notamos que já não reagimos com a mesma pressa. Conseguimos escolher melhor onde colocar a nossa energia e sermos conduzidos pela nossa consciência.
Quando percebemos que ninguém carrega a nossa história por nós, que ninguém vive a nossa dor como nós, que ninguém se detém verdadeiramente no que sentimos…
É quase poético: o caos que sentes é literalmente o teu cérebro a reorganizar-se para aprender algo belo.