Dois Anos Depois
Dois anos depois, ainda cheguei tarde. Dois anos depois, ainda te amo.
Palavras destinadas a alguém — real ou inventado, presente ou distante. Mensagens que atravessam o tempo e guardam intimidade.
Dois anos depois, ainda cheguei tarde. Dois anos depois, ainda te amo.
Conseguir estar num lugar, numa conversa, num grupo ou ao lado de uma pessoa sem sentir que tenho de me corrigir o tempo todo para merecer ali estar.
O que mais me inquieta não é a discussão. É a mudança. É sentir que a pessoa que era próxima começa a ficar mais distante.
Sentir-se cuidado é um dos melhores sentimentos que existem. Não tem muito a ver com grandes gestos ou coisas caras.
Um tipo de presença que acolhe, resolve, protege. Nesse espaço, construiu-se uma sensação rara: segurança.
Ciclos interrompidos deixam uma sensação estranha: não é exatamente perda, nem exatamente fracasso.
Este ano obrigou-me a olhar para mim com uma honestidade que eu adiei durante muito tempo. Não foi um processo linear e nem sempre foi confortável.
Recomeços exigem coragem, mas exigem, principalmente, energia: a energia de se despedir do que já não serve e de enfrentar o desconforto do desconhecido.
Quando percebemos que ninguém carrega a nossa história por nós, que ninguém vive a nossa dor como nós, que ninguém se detém verdadeiramente no que sentimos…
No fundo, ser estrangeiro é aprender a encontrar lar nas pessoas, não nos lugares.