Havia, no céu, uma estrela que brilhava todas as noites sobre a mesma montanha. Brilhava tanto que até as flores fechadas a reconheciam. No vale, um vento nascia todos os dias, correndo livre pelas árvores e rios, e cada vez que chegava à montanha, olhava para cima.
— Como queria tocar-te — suspirava o vento.
A estrela ouvia sempre esse sussurro.
— Eu também queria sentir-te — respondia ela, com o seu brilho trémulo.
Mas o vento não podia subir tão alto, e a estrela não podia descer tão baixo. Entre eles havia a distância infinita do céu e da terra.
Ainda assim, noite após noite, o vento voltava. Acariciava as flores, agitava as árvores, e, ao olhar para cima, deixava o seu segredo no ar. E a estrela, imóvel, mas viva, brilhava sempre um pouco mais forte quando o vento passava, para que ele soubesse que nunca estava sozinho.
Eles nunca se tocaram. Nunca ficaram juntos.
Mas o amor deles encheu o vale de flores e fez do céu um lugar mais bonito.
E assim, mesmo separados, eram parte um do outro — o vento que sonhava, e a estrela que iluminava os seus sonhos.
O tempo passou, e o vento começou a acreditar que talvez fosse tolo sonhar com algo tão distante.
— Se não posso tocar-te, de que serve voltar? — murmurava, cansado das mesmas noites.
A estrela tremeu no céu, como quem chora em silêncio.
— Se não voltares, quem vou iluminar? — pensou, mas a sua voz não chegava até à terra.
Nessa noite, o vento decidiu afastar-se. Correu para longe, atravessou desertos, mares, florestas, mas em cada lugar o seu coração parecia vazio. Nenhuma paisagem tinha o brilho daquela estrela.
E a estrela, sem o vento a olhá-la, parecia menos viva. Brilhava, mas sentia-se perdida num céu cheio de outras luzes.
Foi então que o vento percebeu: não precisava tocar a estrela para a amar. Bastava estar lá, todos os dias, apenas olhando, apenas sussurrando.
Na noite seguinte, voltou à montanha.
— Perdoa-me, estrela. Posso não alcançar-te, mas estarei sempre aqui.
E a estrela brilhou tão forte que até os rios acordaram para a ver.
Ela não podia descer, ele não podia subir, mas ambos sabiam: alguns amores não existem para se viver lado a lado, mas para iluminar e inspirar de longe — eternos, intocáveis e, ainda assim, verdadeiros.
Dizem que, quando a noite é silenciosa, ainda se pode ouvir o vento a sussurrar pela montanha. E que, se olhares bem para o céu, há sempre uma estrela que brilha mais do que todas as outras.
Nunca se tocaram. Nunca se encontraram.
Mas enquanto houver céu e terra, o vento continuará a correr, e a estrela continuará a brilhar.
E nesse intervalo impossível, vive um amor que nunca acaba.