Welcome to Escrevi Online   Click to listen highlighted text! Welcome to Escrevi Online

Saudades do que Nunca Foi

Tempo de leitura: 2 minutos

Saudades…

Saudades do que não vivemos, dos instantes que não aconteceram, dos passeios guardados apenas na imaginação, dos abraços suspensos no ar, dos beijos que nunca nasceram, das carícias que o tempo roubou.

Dói saber que não fui eu o recipiente do teu amor todo este tempo… Às vezes dói mais ainda do que não ter vivido contigo todas as coisas, todas as primeiras vezes. Que não era eu o primeiro, nem o último pensamento teu… Que não era eu quem te irritava, quem te fazia rir, quem te deixava ser tu. Nunca fui motivo de nenhum dos teus sentimentos. E dói-me voltar atrás, na memória, e reescrever mentalmente aquilo que nunca foi meu.

Sempre julguei impossível este amor, um sonho condenado ao silêncio, feito de encontros que não aconteciam e de promessas perdidas no vento. Carreguei a ausência como quem carrega um peso invisível, convencido de que seríamos sempre um “quase”.

Hoje somos um “talvez”.

E amanhã, quem sabe, um “finalmente”.

Mas o destino, teimoso, encontrou forma de nos devolver. E de repente, o impossível já não parecia tão distante. Reencontrei-te quando já não esperava, como se a vida tivesse guardado o momento certo para nos oferecer uma segunda chance.

Hoje, as saudades já não são só do que não vivemos, mas também do que ainda vamos viver. Saudades dos passeios que se desenham no horizonte, dos abraços que aguardam apenas o instante certo, dos beijos que prometem intensidade, das carícias que, enfim, terão lugar no nosso corpo e na nossa memória.

E percebo… que o impossível era apenas um intervalo, uma pausa antes do reencontro.

Mas às vezes pergunto-me: como é possível sentir tanta saudade de algo que nunca vivi?

error: Não copie, sinta!
Click to listen highlighted text!