Eu sei.
Eu entendo os seres humanos.
Compreendo as camadas que os movem, as contradições que carregam e a forma como muitas vezes se deixam guiar pelo próprio interesse. Sei o quão egoístas podem ser — não apenas nos grandes gestos, mas também nas pequenas escolhas do dia a dia, na forma como defendem o que é deles, mesmo que isso signifique ignorar a dor ou a necessidade do outro.
Percebo que esse egoísmo não nasce sempre de maldade, mas muitas vezes de medo, de insegurança ou da busca incessante por validação. Ainda assim, o resultado é o mesmo: relações quebradas, promessas não cumpridas, uma constante corrida por algo que nunca parece suficiente.
E, apesar de entender essa natureza, não deixa de ser duro assistir à forma como o egoísmo molda o mundo — como impede empatia, como levanta muros em vez de pontes, como transforma até os gestos mais simples em cálculos de interesse.
No fim, compreender os seres humanos é perceber que o egoísmo é quase inevitável, mas também é reconhecer a luta constante de cada um entre o instinto de proteger-se e a capacidade de realmente se doar.