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O Culpado Preferido

Tempo de leitura: 3 minutos

Sim, sou culpado, fui eu.

Há coisas que só parecem urgentes porque deixamos que sejam. Quando entendemos que nem tudo precisa ser explicado, o mundo desacelera.

Cansei de me justificar, de tentar provar que não sou o que dizem, o que ouviste ou o que idealizaste.

Quando alguém próximo nos acusa sem razão, a dor é diferente. Mistura-se a injustiça com a desilusão. O amor não impede erros, mas o respeito devia impedir esse tipo de ferida.

Não me idealizes, conheça-me.

Por todas as vezes que fui acusado de fazer, dizer ou ser algo que nunca fui, a minha resposta é simples: sim, se é isso que acreditas, então é.

Não vou provar o contrário. Não preciso — quando alguém já decidiu quem eu sou, qualquer explicação é inútil.

Já não tenho paciência para conversas que só servem para apontar o dedo. Já expliquei demais, já pedi desculpa por coisas que nem fiz.

Chega.

Aprendi que quem quer entender, entende. Quem não quer, vai sempre arranjar uma nova razão para duvidar. E eu não vou viver a tentar convencer ninguém.

Se confias, fique.

Se não confias, vá.

Mas não me peças para provar o tempo todo que sou alguém que nunca deixei de ser.

Estou cansado de ser mal interpretado, de ver intenções onde só havia sinceridade. As pessoas esquecem que às vezes erramos sem maldade, que às vezes só estamos cansados, calados, no nosso canto. E isso não devia ser motivo para sermos julgados.

Não quero mais ser o culpado preferido de ninguém. Se te faz sentir melhor acreditar que fui eu o problema, então fica com essa ideia.

Se quiserem falar, que falem.

Eu sei o que vivi, o que senti e o que dei.

Não preciso que ninguém confirme isso por mim.

Há pessoas que só percebem o valor das coisas quando já é tarde, aprendi a ficar sozinho, quando o “ficar acompanhado” me fazia mal.

Já não quero provar que sou bom, nem que sou certo. Quero apenas ser honesto comigo. E se isso me afasta de alguns, então é sinal de que nunca estivemos tão perto assim.

Até porque o que mais dói não é a acusação, mas perceber que alguém que te conhece escolheu duvidar.

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