Sou um talvez, na vida, nos relacionamentos, no trabalho, nas amizades, na família. As pessoas raramente fazem questão de mim. Sou o último a ser escolhido, a ser lembrado, o último a ser chamado — quando lembram.
Estou presente, mas é como se fosse invisível, não sou prioridade, não sou relevante, sou só mais um, uma pessoa que a falta não é sentida e nem notada.
Difícil é não ser a prioridade na vida daquela pessoa que é para você
Tem vezes que eu me pergunto como seria, se eu não fosse eu. Se, por um momento, eu fosse visto. Desejado por inteiro. Prioridade de alguém. Estou cansado de ser o talvez de todos. De ser metade e de me sentir incompleto.
Eu só queria ser importante para alguém. Não precisava ser o centro do mundo, só sentir que faço falta, que se eu não estiver, alguém vai notar.
Cansa ser sempre o segundo plano. Estar presente, mas nunca ser a escolha. Falar e ninguém realmente ouvir. Estar rodeado e continuar sozinho. Cansa ter de fingir que não me importo, quando na verdade eu só queria que alguém se importasse.
Eu tento não pensar nisso, mas é difícil. Ver os outros se encaixarem com tanta facilidade, serem lembrados, chamados, queridos — enquanto eu sou sempre o depois, o talvez, o “quem sabe”.
E eu começo a duvidar de mim. Será que sou eu o problema? Será que não sou suficiente? Talvez eu tenha me acostumado demais a esperar pouco, a aceitar migalhas, a não esperar nada.
Mas no fundo, eu ainda espero. Espero que um dia alguém olhe para mim e queira ficar. Que não precise de um motivo, nem de um momento certo. Que só queira.
Porque eu também só quero isso: ser querido de verdade, sem talvez, sem dúvidas, sem medo.