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A Parte Difícil do Novo

Tempo de leitura: 3 minutos

É quase poético: o caos que sentes é literalmente o teu cérebro a reorganizar-se para aprender algo belo. 

Há um momento específico em que aprender algo novo deixa de ser uma simples tarefa e passa a ser um processo desconfortável. Não é glamoroso. Não é inspirador. É incerto, frustrante, às vezes até irritante. A pessoa senta-se, repete, falha, volta atrás, perde o fio, tenta outra vez. E enquanto isso acontece, existe um diálogo silencioso que quase nunca é admitido em voz alta.

— Isto devia ser mais fácil.

— Não é. Nunca é.

— Mas porquê agora? Já faço tantas outras coisas bem.

— Precisamente por isso. Estás habituado à segurança. Aqui não há segurança nenhuma.

Aprender expõe fragilidades que normalmente ficam escondidas. Mostra que a ideia de “ser bom” é sempre relativa, e que qualquer competência — por mais sólida que pareça — pode ser posta em causa quando se enfrenta algo diferente. Há uma resistência automática: o corpo cansa, a mente dispersa, a paciência encurta. Parece que nada encaixa, que o esforço é maior do que devia, que o progresso é menor do que esperavas.

E no entanto, é assim que começa. O desconforto não é um sinal de incapacidade, é apenas o primeiro impacto de lidar com algo que não domina. Há uma distância entre querer saber e realmente saber, e essa distância é preenchida por tentativas falhadas, correções repetidas, frustração acumulada e pequenas vitórias quase imperceptíveis.

Com o tempo, aquilo que parecia impossível torna-se familiar. Não é um salto. É um conjunto de passos curtos, inconsistentes, que só fazem sentido quando olhas para trás. A dificuldade não desaparece, mas muda de forma: transforma-se em competência, hábito, confiança. E quando finalmente consegues fazer aquilo que antes te deixava perdido, percebes que a maior parte da luta não foi com o conteúdo em si, mas com a tua própria expectativa de facilidade.

Aprender algo novo é isso: um confronto silencioso entre quem és agora e quem ainda não consegues ser. Sem drama. Sem metáforas. Apenas trabalho, paciência e a disposição de aceitar que o incómodo faz parte do crescimento.

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