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O Peso de Sentir

Tempo de leitura: 3 minutos

Sinto tudo com intensidade demais. Pequenas coisas permanecem, ganham peso, ocupam espaço. Detalhes que para outros passam despercebidos, em mim ficam. Não por escolha, mas porque é assim que acontece.

Não é uma questão de aparência ou de achar que não sou capaz. O problema está mais no lado emocional. Existe uma sensação constante de não ser suficiente afetivamente, como se fosse sempre preciso mais palavras, mais gestos, mais sinais de que está tudo bem. A ansiedade aparece justamente quando as coisas ficam vagas, quando o que importa não é dito com clareza.

As emoções se acumulam facilmente. Quando não encontram saída, acabam transbordando, quase sempre em lágrimas. Não por drama, mas por excesso. Em momentos de tristeza, há uma tendência a procurar músicas, filmes ou textos igualmente tristes, talvez porque ver a própria dor refletida torne tudo um pouco mais suportável.

Falar sobre o que sinto nem sempre é fácil. Muitas vezes nem eu sei explicar direito. Existe o medo de não ser entendida, de parecer exagero, de não ser um motivo “forte o suficiente”. Por isso, o silêncio acaba sendo mais confortável do que tentar traduzir o que não cabe bem em palavras.

Nos relacionamentos, busco segurança. Preciso de confirmação, de presença, de saber que sou amada de forma clara. Quando essa parte não vai bem, o resto parece desandar junto. Não porque tudo dependa do outro, mas porque o afeto tem um peso grande demais.

Existe consciência do risco de depender emocionalmente de alguém para se sentir bem. O desejo não é depender, é se sentir segura. Ainda assim, quando o afeto oscila, o equilíbrio interno também oscila.

No fundo, não é que eu não queira sentir. É só o cansaço de sentir demais. De carregar tudo com tanta intensidade. Às vezes, gostaria apenas que as emoções fossem mais leves, mais silenciosas, menos exigentes.

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