Às vezes o amor chega na hora errada. Outras vezes, chega na hora certa — mas as escolhas já não são as mesmas.
Há um ditado que diz que, na vida, é mais seguro escolher quem nos ama. Muitas pessoas repetem isso como se fosse um conselho quase simples demais, como se fosse uma pequena fórmula para evitar certas dores do coração. Afinal, parece lógico acreditar que é mais fácil construir algo com quem já demonstra querer ficar.
Talvez tenha sido por pensar assim que, em determinado momento da vida, fiz uma escolha diferente das que tinha feito antes.
Entre escolher alguém que eu precisaria ensinar a me amar e escolher alguém que já demonstrava esse sentimento por mim, pareceu-me mais sensato caminhar em direção a quem mostrava carinho. Não porque o amor seja uma decisão fria ou calculada, mas porque às vezes acreditamos que os sentimentos também podem crescer no caminho — que o afeto pode amadurecer quando existe cuidado, presença e vontade de permanecer.
Curiosamente, essa não era uma pessoa totalmente nova na minha história.
Antes de qualquer possibilidade de amor, havia amizade. Havia conversas, partilhas, pequenas confidências que só existem entre duas pessoas que se conhecem de verdade. Eu sabia muito sobre ele — as coisas simples, os pensamentos, os detalhes que normalmente não contamos a qualquer pessoa.
E, em algum momento do passado, eu também já tinha gostado dele.
Naquela época, porém, eu nunca o escolhi. O sentimento existia, mas a escolha não aconteceu. A vida seguiu, os caminhos tomaram outras direções e, como acontece tantas vezes, cada um continuou o seu percurso.
O tempo passou. As circunstâncias mudaram. E, de alguma forma inesperada, a vida voltou a aproximar os nossos caminhos.
Foi então que, desta vez, eu escolhi.
Escolhi com mais consciência, talvez com mais maturidade, talvez com a tranquilidade de quem entende que algumas histórias merecem ao menos uma tentativa. E assim comecei, pouco a pouco, a permitir que aquele espaço fosse ocupado novamente.
Há algo silenciosamente bonito em aprender a amar alguém. É um processo delicado, quase imperceptível no início, como quando percebemos que uma presença começou a fazer sentido nos nossos dias. Não acontece de uma vez, nem de forma barulhenta. Acontece devagar, no ritmo natural das coisas que são verdadeiras.
E foi assim que o sentimento encontrou lugar dentro de mim mais uma vez.
Mas a vida, às vezes, tem outros planos para as histórias que começamos. Em certos momentos chegam decisões que não dependem apenas do que sentimos. Chegam mudanças, circunstâncias inesperadas, caminhos que se reorganizam de uma forma que não conseguimos prever.
E quando esse momento chegou, uma escolha precisou ser feita.
Desta vez, eu não fui a escolha.
Talvez o que mais surpreenda não seja o fim em si, mas o pouco tempo que tivemos. Depois de tanto tempo em que nossos caminhos quase se cruzaram, quando finalmente nos aproximamos de verdade, a história foi breve. Breve demais para quem esperou tanto, mas suficiente para deixar memórias que permanecem.
Depois disso, veio o silêncio.
Aquele silêncio estranho que surge quando um ciclo se fecha completamente. Antes, eu sabia tanto sobre ele. Sabia das pequenas coisas, dos pensamentos, das histórias do dia a dia. Hoje não sei nada; o que antes parecia tão certo agora é apenas silêncio.
Parece que, quando ele decidiu encerrar aquele capítulo, decidiu também sair completamente da minha vida. Nem mesmo a amizade ficou.
E assim duas pessoas que antes sabiam tanto uma da outra tornaram-se estranhos que carregam as mesmas memórias — e o silêncio que ninguém ousou preencher.
Ainda assim, algumas palavras permaneceram “lembrarei de ti com carinho”. E eu acredito nisso, porque também guardo as lembranças com o mesmo cuidado.
Mesmo que, junto com esse carinho, ainda exista uma certa tristeza silenciosa.
Às vezes já pensei em escrever, em quebrar o silêncio que ficou entre nós. Mas há decisões que precisam ser respeitadas, mesmo quando deixam perguntas no coração.
E talvez algumas histórias sejam exatamente assim: não terminam com discussões ou grandes despedidas, apenas com dois caminhos que, depois de caminhar juntos por um breve momento, seguem em direções diferentes.
Ainda assim, não há arrependimento.
Se pudesse voltar atrás, eu faria a mesma escolha outra vez. Escolheria novamente viver aquele pequeno espaço de tempo, aquelas conversas, e tudo que existiu entre dois caminhos que por um instante caminharam lado a lado.
E, se fosse preciso decidir mil vezes, eu ainda escolheria.
Mesmo sabendo que, no final, talvez eu não fosse a escolha dessa pessoa.
Porque algumas histórias não precisam durar muito para serem verdadeiras — apenas precisam existir.