Antes eu tinha tudo de ti, depois um pouco… e no fim, nada. Leva-me de volta à noite em que nos conhecemos. Eu não sei o que fazer… continuo assombrado pelo teu fantasma. – The Night We Met – Lord Huron
Sempre achei mais fácil enviar-te músicas do que dizer o que sentia. Assim não estragava a amizade, não pesava o clima, não soava estranho. Mas hoje, acho que vou exceder a dose de passado.
Doeu ver-te com outras pessoas. Talvez não tenhas reparado, mas foste-me trocando, lentamente. Antes eu tinha tudo, depois um pouco, e por fim nada. Não éramos um casal, mas era contigo que passava as noites. Tu eras a minha primeira e única pessoa. Falávamos, ríamos, e com a tua voz suave até cantavas para mim.
Então, chegou alguém. Alguém que te levou aos poucos, pedaço a pedaço, até não restar nada para mim. E acho que nunca gostaste de mim do jeito que eu gosto de ti. Eu apreciava tudo em ti: o teu humor, a tua beleza, o teu olhar, o teu sorriso, a tua voz… tu por inteiro. Tudo o que eu queria eras tu. Por alguns instantes, até acreditei que podia ter-te.
Mas não só me trocaste… eu assisti a tudo, sentado na primeira fila. Vi-vos juntos, e eu só via. Talvez se eu tivesse agido, a culpa não seria toda minha. Mas mesmo assim, sinto que ninguém te amou do jeito que eu amo. E tu nunca percebeste. Por isso, a culpa é minha.
Se pudesse, voltaria àquela noite e faria tudo diferente. Talvez, só talvez, existisse um “nós”. Mas o passado é irreversível, e hoje já não sei o que dizer. Ainda assim, mesmo sabendo que nunca serias minha, eu estava lá… sempre a deixar-te escapar.
Não sei amar pouco e consequentemente, não consigo sofrer pouco.