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Ciclos Interrompidos

Tempo de leitura: 2 minutos

Nem todo ciclo termina porque se completou.

Alguns acabam no meio, quando ainda havia ritmo, quando o passo ainda estava alinhado. São interrompidos não por falta de sentido, mas por forças que não se negociam, decisões que não pedem consenso, silêncios que chegam antes da conclusão.

Ciclos interrompidos deixam uma sensação estranha: não é exatamente perda, nem exatamente fracasso. É como fechar um livro na página errada, sabendo que a história não estava pronta para aquele ponto final. Fica a impressão de algo suspenso, de uma continuidade que existiu apenas como possibilidade.

O mais difícil não é o fim em si, mas o que fica sem resposta. O que não foi vivido, o que não foi testado, o que não teve tempo suficiente para amadurecer. Não há desgaste, não há esgotamento — há apenas interrupção. E isso confunde, porque não ensina como os finais habituais ensinam.

Com o tempo, aprende-se que ciclos interrompidos não pedem insistência. Pedem aceitação. Não porque foram errados, mas porque não dependiam apenas de vontade. Há encontros que acontecem no momento errado, em estruturas incompatíveis, em realidades que não conseguem sustentar o que foi sentido.

Ainda assim, nada é desperdiçado. Mesmo interrompido, um ciclo deixa marcas: amplia a percepção, redefine limites, revela capacidades emocionais que talvez nunca tivessem sido tocadas. Não continua — mas transforma.

E talvez seja isso.

Nem tudo que começa precisa terminar para fazer sentido.

Alguns ciclos existem apenas para mostrar até onde algo poderia ir — e isso, por si só, já é suficiente.

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