Dar voz à dor é aceitar que sofrer faz parte da vida. Todos, em algum momento, passamos por perdas, falhas ou ausências que nos deixam marcas. Fingir que a dor não existe não a faz desaparecer; pelo contrário, faz com que cresça em silêncio, escondida dentro de nós.
Quando damos voz à dor, damos-lhe forma. Aquilo que antes era apenas um peso sem nome começa a ganhar sentido. Ao falar, escrever ou partilhar o que sentimos, deixamos de carregar sozinhos o fardo. O silêncio transforma-se em palavras, e as palavras em clareza.
Dar voz à dor não significa viver preso a ela. Pelo contrário, é uma forma de libertação. Só quando a reconhecemos é que podemos seguir em frente sem que ela nos prenda. Não é glorificar o sofrimento, mas integrá-lo como parte da história que nos faz ser quem somos.
Também é um gesto de humanidade. Ao partilhar a dor, mostramos que somos frágeis, mas também reais. Essa partilha aproxima-nos dos outros, porque todos conhecem, de um modo ou de outro, o que é sofrer. A dor que se cala afasta, mas a dor que se partilha cria laços.
No fim, dar voz à dor é um ato de coragem. É não permitir que ela nos consuma em silêncio, mas transformá-la em algo que pode ensinar, unir e até aliviar.