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Entre Corações e Flores

Tempo de leitura: 2 minutos

É impressionante como, às vezes, a nossa felicidade pode significar a tristeza de alguém. E não falo de invejas — falo de amores. Duas pessoas podem amar-te de forma verdadeira e, independentemente da tua escolha, alguém acabará a sofrer. Serás, de certa forma, a causa da dor de alguém. Da frustração que transforma em cinismo, do diagnóstico de uma depressão, talvez até de um gesto extremo como o suicídio. Assusta perceber como a nossa felicidade pode carregar, nas entrelinhas, a desgraça de outro coração.

E, no meio disso, existe ainda o peso de ser o “segundo amor”: a pessoa que chega depois, que encontra um coração já marcado, já gasto. É ter de reconstruir ruínas que não ajudou a destruir, é aceitar não ser o dono das primeiras vezes, dos instantes únicos que ficaram com quem veio antes. É amar na sombra de um passado que nunca se apaga por completo, e ainda assim escolher ficar, mesmo sabendo que a intensidade pode já não ser a mesma.

As pessoas são como flores: algumas, quando colhidas, são replantadas e cuidadas, crescem e voltam a florescer ainda mais belas; outras, porém, são colhidas e esquecidas, murcham e nunca mais recuperam a sua cor. Por isso se não for capaz de cuidar, não toque — limita-te a admirar. Porque até a beleza mais delicada morre quando é tratada como descartável e ela não pede posse — apenas respeito.

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