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Escrevo-me

Tempo de leitura: 3 minutos

Eu escrevo sentimentos, o que eu vejo, o que eu sinto, o que eu ouço, o que eu vivo e até o que eu gostaria de viver, sem filtros, sem molduras, sem vergonha, derramo minha alma no papel como águas de um rio que não conhece barreiras. Minhas palavras são reflexos da verdade que carrego, por vezes dolorosa, por vezes extasiante.

Escrevo porque as palavras me entendem quando ninguém mais entende.

Escrevo porque, ao tocar o papel, deixo escapar aquilo que pesa no peito.

Escrevo para não explodir, para me encontrar, para não me perder.

Escrevo sonhos que não vivi, mas que vivem em mim.

Escrevo dores que calei, sorrisos que ficaram na memória, gestos pequenos que, para o mundo, talvez não sejam nada, mas que em mim fazem morada.

Escrevo silêncios, ausências, escrevo para matar saudades e criar esperanças.

Escrevo o que sou, o que fui, e até o que finjo ser quando o mundo me pede força.

Porque escrever, no fim, é o jeito mais bonito que encontrei de continuar respirando.

Escrevo para costurar os pedaços que a vida rasgou.

Cada palavra é linha, cada verso é agulha.

E mesmo quando a dor sangra, deixo que ela escorra em forma de poesia.

Escrevo quando amo, quando perco, quando o coração aperta ou explode de alegria.

Escrevo quando tenho medo, e é no papel que encontro coragem.

Escrevo para dar voz ao que cala, ao que grita por dentro sem fazer barulho.

Escrevo quando ninguém me escuta, e é aí que ouço a mim mesma com mais clareza.

Escrevo cartas que nunca envio, respostas que nunca recebi, histórias que talvez ninguém leia, mas que me libertam.

Porque às vezes não quero ser lida, quero apenas ser sentida.

Escrevo o amor que me consome e a tristeza que me visita nas madrugadas silenciosas. Escrevo sobre olhares que cruzaram o meu e mudaram algo dentro de mim. Sobre músicas que tocaram no momento exato e pareciam narrar minha história.

Compartilho sonhos impossíveis e medos irracionais. Confesso desejos que nem a mim mesmo ouso admitir em voz alta. Nas linhas que traço, habita a criança que fui, o adulto que sou e o idoso que serei.

Alguns dirão que é loucura expor-se assim. Mas há liberdade nesta nudez da alma, neste despir de máscaras. Na verdade revelada, encontro a mim mesmo.

E assim sigo, eternizando instantes, transformando suspiros em poesia, capturando a essência fugidia da existência. Pois ao escrever sem amarras, não apenas registro a vida – eu a vivo duas vezes.

Eu escrevo-me.

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