E do nada, tudo parece não fazer sentido e eu sinto-me o nada. De repente, tudo perde a graça e dentro de mim instala-se um vazio.
É uma sensação estranha, que quase sempre surge sem motivo, que vem sem aviso. Parece que toda a minha energia desaparece: sinto-me exausta, insuficiente, como se não fosse capaz de ser o bastante.
Esse vazio cresce em silêncio. Quanto mais tento entender, menos encontro respostas. É como se eu me afastasse de mim mesma, como se nada encaixasse.
E nessas horas, só me apetece desaparecer. Não do mundo, mas de mim. Queria desligar os meus pensamentos, apagar tudo, silenciar as vozes que me corroem e que insistentemente me lembram do quanto falho em ser suficiente.
Por fora, continuo a sorrir, a responder, a existir. Aprendo a aceitar que a falta pode vir sem aviso, que a minha presença não precisa ser sempre inteira. Mas por dentro, é como se um abismo se abrisse, engolindo cada pedaço de vontade. A vida lá fora segue indiferente, como se nada estivesse errado. Só eu sinto o vazio crescer. Só eu não tenho respostas para as minhas próprias perguntas. Só eu não estou feliz.
Há dias em que só consigo existir pela metade. Há dias em que a única coisa que faço é respirar.
Nesses dias, penso que, talvez, desaparecer de mim mesma seja a única forma de finalmente voltar a ser, pois eu não sou o meu pior dia. Não sou apenas o cansaço, apenas a insuficiência, apenas o medo.
Sou também a resistência silenciosa de continuar, mesmo quando tudo parece não fazer sentido. É aí que finalmente preciso permitir-me ser imperfeita.
Permitir-me não saber.
Permitir-me parar.
Permitir que o vazio exista, sem que ele defina quem eu sou.
Aprender que sentir-me vazia não significa que eu seja vazia. Que estar cansada não significa que eu seja fraca. Que não ter respostas não significa que eu esteja perdida.
E isso, por si só, já é mais do que suficiente.