Sou uma vergonha. Para mim, para ti, para todos. Não precisas mentir, não precisas consolar — eu sei. Sei que te decepcionei. Entre todos os erros que carrego, sou eu quem mais te feriu, quem mais te cansou, quem mais te destruiu.
Não suporto o reflexo no espelho. Não há pedido de desculpas que me pareça suficiente. Não há perdão dentro de mim — nem para mim, nem por mim. Talvez o amor tenha sido um idioma que eu nunca soube falar. Talvez nunca tenha sido feito para isso… para sentir, para cuidar, para permanecer.
É cruel o quanto tudo se transformou num piscar de olhos. O doce virou fel. O leve virou peso. O que éramos se perdeu em silêncios que gritavam. E agora… agora somos dois estranhos com lembranças demais.
O que sobrou de nós? Apenas corações quebrados tentando bater em ritmo, e mentes cansadas implorando por paz.
E uma pergunta que não me deixa: se eu sou o vazio, o que foste tu ao me amar?