Era para ser só mais um dia.
Mas havia algo no ar — um cheiro leve de flores que não estavam ali, um sussurro do tempo dizendo que algo bonito estava prestes a acontecer.
E não era grandioso, não era gritante.
Era sutil, como a sensação de pele quente depois do sol.
Como um arrepio bom sem razão.
Ela caminhava devagar, sentindo os pés tocarem o chão como se pisassem em poesia.
As árvores pareciam dançar com o vento só pra ela, as cores ao redor estavam mais vivas, e até o silêncio tinha gosto de mel.
Era como se o mundo estivesse conspirando a favor, costurando beleza nos pequenos detalhes.
Uma criança rindo ao longe.
O som de passos em sintonia com o coração.
A certeza, mesmo sem prova, de que algo belo estava florescendo por dentro.
Talvez fosse amor.
Talvez fosse esperança.
Ou talvez fosse apenas aquele momento raro em que o coração decide parar de correr e simplesmente… sentir.
E naquele instante, ela entendeu: não era preciso muito para ser feliz.
Bastava estar ali, inteira, presente no encanto das coisas simples, que mesmo sendo só um momento comum, o sol bateu de um jeito bonito na janela, o vento sussurrou algo que parecia o nome dela, e o mundo, por um segundo, sorriu com ela.
Nada extraordinário, só aquele calor por dentro, como se tudo estivesse exatamente onde devia estar.
Encanto é isso: quando a alma reconhece a beleza, mesmo no silêncio, mesmo na simplicidade.