Um Mundo Que Fala Demasiado
Crescemos num mundo onde falar é importante, que expressar opiniões é saudável, que “quem se cala consente”. Mas não se fala de quem comunica de outra forma.
Crescemos num mundo onde falar é importante, que expressar opiniões é saudável, que “quem se cala consente”. Mas não se fala de quem comunica de outra forma.
Um dia notamos que já não reagimos com a mesma pressa. Conseguimos escolher melhor onde colocar a nossa energia e sermos conduzidos pela nossa consciência.
Recomeços exigem coragem, mas exigem, principalmente, energia: a energia de se despedir do que já não serve e de enfrentar o desconforto do desconhecido.
Um dia “cheio” parece um dia válido; um dia calmo, quase vazio, surge como desperdício. É aqui que a relação com o tempo se torna desequilibrada.
Chega um momento em que a promessa deixa de criar expectativa. Cria apenas desconfiança. Promessas não cumpridas magoam.
Quando percebemos que ninguém carrega a nossa história por nós, que ninguém vive a nossa dor como nós, que ninguém se detém verdadeiramente no que sentimos…
É quase poético: o caos que sentes é literalmente o teu cérebro a reorganizar-se para aprender algo belo.
O modo automático chega devagar. Primeiro por cansaço. Depois por hábito. Depois porque simplesmente já não tens energia para pensar no que sentes.
No fundo, ser estrangeiro é aprender a encontrar lar nas pessoas, não nos lugares.
Vamos falar daqueles que começaram a trabalhar antes do tempo. Daqueles que, ainda jovens, sentiram a obrigação de ajudar em casa, com as contas.