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Por Onde a Luz Entra

Tempo de leitura: 2 minutos

Às vezes, a gente sente um vazio que não sabe nomear. Um silêncio que pesa mais que o barulho. E não é tristeza exatamente — é uma sensação de que algo está fora do lugar, mesmo quando, aparentemente, tudo está onde deveria estar.

Tem dias em que o mundo parece girar depressa demais, e a gente fica parado no meio da sala, com a alma atrasada. As notificações tocam, o relógio corre, o corpo vai, mas por dentro… é como se faltasse presença. Como se estivéssemos nos assistindo viver, em vez de realmente viver.

E mesmo cercado de gente, a solidão consegue se infiltrar. Não porque não amamos, ou não somos amados. Mas porque há partes da gente que ninguém vê. Medos que ninguém entende, memórias que ninguém escuta, vontades que nem sempre temos coragem de admitir.

A verdade é que todos estamos tentando. Tentando ser fortes. Tentando ser suficientes. Tentando não desmoronar nas pequenas coisas. Mas tem dias que a força cansa. Que ser forte parece só outra maneira de esconder a dor.

E tudo bem.

Tudo bem não estar bem o tempo todo. Tudo bem não saber todas as respostas. Tudo bem ter dúvidas, ter medo, querer parar um pouco. A gente não precisa ser invencível para ser digno. Nem perfeito para ser amado.

Às vezes, só precisamos respirar. E lembrar que existe beleza até nas rachaduras. Porque é por elas que a luz entra.

E, no fim, talvez a coragem esteja nisso: continuar, mesmo sem entender tudo. Amar, mesmo com o coração machucado. E acordar amanhã, disposto a tentar de novo — mesmo que só um pouquinho.

Porque já é o bastante. Porque você já é o bastante.

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