Quando acaba…
Às vezes, a melhor forma de terminar com alguém é estando com ela. Sabe, aquele amor que vai morrendo aos poucos, perdendo intensidade, vontade, desejo, dia após dia. É estranho quando você não viveu e decide afastar-se, dói bastante — ficamos na incerteza do que poderia ter sido e, por vezes, na infelicidade do que de facto era. Mas quando estamos com a pessoa e as coisas morrem… às vezes porque ela simplesmente não soube cuidar do que tinha ou, quando finalmente tentou cuidar, já era tarde demais.
A verdade é que, quando não damos manutenção aos relacionamentos — sobretudo os amorosos — é muito fácil perdê-los. Devemos cuidar e amar desde o primeiro dia: estar presentes, valorizar, ser disponíveis, ouvir, elogiar, apoiar. Se não dermos isso, chega um dia em que acordamos e a pessoa ainda está lá, mas o amor já não. E, pouco depois, a própria pessoa também já não estará.
Por ironia da vida, é mais fácil aprender a amar e valorizar alguém quando já não a temos, ou quando estamos prestes a perdê-la. É quando a pessoa deixa de estar, dar e se doar que sentimos o peso da ausência, e aí a ficha cai: os “porquês” aparecem. Só então queremos dar mais de nós, mostrar mais, fazer mais. Mas, muitas vezes, já é tarde. Quem um dia esteve presente cansou-se, desmoronou, e o amor que existiu extinguiu-se. A culpa pode ter sido tua, mas também pode ter sido da outra pessoa. Nunca há apenas um culpado; às vezes somos vítimas também.
Se deste tudo de ti e recebeste migalhas, lembra-te: não foi em vão. Valeu a pena, porque tudo o que aprendeste agora vai ser útil no futuro, num próximo relacionamento, quem sabe. Não, não vais desistir do amor só porque a tua 32.ª tentativa falhou — espero que não tenham sido tantas, porque nesse caso estarias a namorar da forma errada.
Mas pronto, cabeça erguida e segue em frente.
PS: O escritor não está frustrado.