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A Maior Prova de Amor

Tempo de leitura: 3 minutos

Ela estava sentada na beira da cama, os olhos fixos na moldura da fotografia empoeirada. Não havia lágrimas agora — já tinham secado há dias. O silêncio da casa era quase ensurdecedor, como se cada parede soubesse o que havia acontecido e se recusasse a falar sobre isso.

Disseram-lhe, no velório, que o tempo curaria. Que era preciso ser forte. Que ele agora estava em paz. Mas nenhuma dessas frases vazias a alcançava de verdade. Era na ausência dele, no café que ficou frio, no par de chinelos esquecidos ao lado da cama, que ela sentia o amor mais profundamente.

Não foi a doença que a fez entender. Nem mesmo o momento da partida, quando os aparelhos pararam de apitar. Foi depois, muito depois, quando a ausência tornou-se cotidiana, quando a rotina começou a gritar com o vazio que ele deixou. Ali, naquela falta, ela compreendeu: o amor, aquele verdadeiro, só revela sua grandiosidade plena quando se perde o objeto amado.

Lembrou-se das palavras dele em uma tarde qualquer, enquanto viam TV juntos no sofá: “Acho que a dor é a prova de que algo valeu a pena.” Na época, ela riu. Agora, não conseguia evitar o nó na garganta. Porque doía. E doía muito.

Mas havia também algo sereno nessa dor. Uma certeza silenciosa de que o amor deles existiu com força. Que os dias compartilhados, os abraços, as brigas tolas e as reconciliações foram reais. E por isso a dor era tão funda. Porque ele tinha sido insubstituível.

Havia histórias que ela contaria sozinha agora, risos que guardaria apenas na memória. E mesmo assim, mesmo com o coração estilhaçado, ela sabia: não era a morte que selava o amor, mas o amor que tornava a morte insuportável.

E foi nesse entendimento que ela se permitiu sorrir, ainda que por um breve segundo. Porque, embora ele tivesse partido, a marca dele — o rastro do que viveram — continuaria ali. Imutável.

Afinal, pensou, enquanto abraçava a fotografia contra o peito, talvez seja isso que realmente significa: a morte como a maior prova de amor. Não pela morte em si, mas porque só quem amou de verdade sente a perda com tanta alma.

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