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A Exaustão de Existir

Tempo de leitura: 2 minutos

Queria tanto que o tempo parasse. Que tudo congelasse por um instante, apenas o suficiente para que eu pudesse respirar sem me sentir pressionada, sem me sentir atrasada para algumas coisas ou adiantada demais para outras.

Queria poder passar um único dia sem uma crise existencial. Queria que, por algumas horas, a minha mente simplesmente se calasse, para que eu pudesse descansar de verdade.

A vida tem sido tão pesada. Os dias, tão longos. Todos os dias são apresentados como uma nova oportunidade para viver, mas, ultimamente, sinto que morro um pouco a cada dia.

Os meus fracassos e as minhas inseguranças perseguem-me. A aflição e a angústia tornaram-se companheiras diárias. Ah, ansiedade, minha velha e fiel amiga… quase me esquecia de ti. Obrigada por nunca te esqueceres de mim.

O cansaço emocional é tão degradante que, por vezes, já nem sei explicar o que sinto. Por fora, aparentemente, está tudo bem. Mas nunca sabemos o que realmente se passa dentro da mente das pessoas.

O mundo continua a seguir o seu rumo, como se nada estivesse acontecendo. E, no fundo, não importa muito como estamos ou como nos sentimos: o tempo não vai parar porque estou triste. As pessoas na rua não vão deixar de circular porque estou prestes a ter uma crise de choro numa paragem de táxis. Ninguém vai perceber. E, modéstia à parte, eu finjo muito bem.

Essa é uma das partes mais difíceis da vida adulta: aprender a continuar, mesmo quando tudo dentro de nós pede uma pausa.
Continuar a sorrir. Continuar a trabalhar. Continuar a responder “está tudo bem”, mesmo quando não está.

E talvez seja isso que chamamos de maturidade: aprender a carregar silenciosamente aquilo que ninguém vê.
Nada mais, nada menos do que as nuances da vida adulta.

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